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24.3.12

A "Crise Académica" de 62



Há cinquenta anos, no dia 24 de Março de 1962, teve início uma movimentação estudantil que ficou conhecida como "Crise Académica de 1962".
"Crise" ou "Luto Académico" foram eufemismos usados para designar a greve do estudantes que, iniciada nas Universidades Clássica e Técnica de Lisboa, imediatamente alastrou às Academias de Coimbra e Lisboa.
Plenário no Estádio Universitário  
O rastilho que incendiou as Universidades foi a proibição das comemorações do Dia do Estudante por um Poder acossado e temeroso que, no ano anterior, tinha tido o seu annus horribilis: em Angola começara a Guerra Colonial, acontecera o Golpe de Beja, Botelho Moniz tentara um golpe palaciano, dera-se o assalto ao Santa Maria por Henrique Galvão, Nehru decidira-se pela invasão de Goa, multiplicavam
-se as greves na cintura industrial de Lisboa e no Alentejo.
O regime tremia. Passou rapidamente da proibição do Dia do Estudante à repressão policial: a polícia de choque entra em acção, sucedem-se cargas policiais de grande violência, prisões e espancamentos.
A greve de 62 representou um enorme salto em frente na radicalização e na politização da juventude portuguesa e daria, nos anos seguintes, os seus frutos com o envolvimento de camadas cada vez mais amplas de jovens tanto na luta clandestina como na actividade legal contra o regime.
Entre esses jovens, contava-me eu.
Desembarcado em Lisboa no ano anterior, já politicamente "consciencializado", como então se dizia,  entreguei-me com entusiasmo à actividade no seio da Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa e, rapidamente, à miltância política.
A agitação académica favorecia e facilitava o trabalho e o recrutamento políticos.  
Rapidamente, estava envolvido em actividades mais "duras", para que era atraído por uma visão romântica e um pouco ingénua luta clandestina
Entretanto, tinha sido "apanhado" pela PIDE, com mais dois amigos e camaradas, quando nos preparávamos para uma noite de pintura de paredes, na campanha de agitação para a manifestação do 1º de Maio. Só passámos uma noite na PIDE que, na realidade, não se apercebeu da actividade que preparávamos.
Mas essa primeira "inscrição" do meu nome nos sinistros arquivos pidescos, teve consequências várias e que se prolongaram no tempo, com resultados geralmente desagradáveis. Um deles ocorreu pouco tempo depois: em Maio, dois meses depois do início da greve, a Polícia de Choque, comandada pelo notório Capitão Maltez, investiu contra a Cantina Universitária, no interior da qual um grupo de colegas estava em greve da fome, em protesto contra as autoridades, enquanto no exterior muitas centenas de jovens formavam um escudo destinado a proteger os grevistas da fome ou, pelo menos, a dificultar a sua prisão e identificação.
Lista de alguns presos em Caxias
Depois de algumas horas de resistência, com bastonadas e correrias à mistura, muitas centenas de estudantes foram encafuados em autocarros e divididos entre o Governo Civil e o Quartel da PSP na Parede.
Dentre esses, algumas dezenas foram, depois, remetidos para Caxias, onde permaneceram alguns dias.
Tive a honra de me encontrar entre esses poucos estudantes, escolhidos por estarem já referenciados pela PIDE.
A Crise de 62 foi um marco na vida de muitos de nós e o dia 24 de Março tem sido ininterruptamente lembrado por muitos dos participantes.
Publico, a ilustrar este post, uma foto e a cópia de um documento.
Na foto, captado no próprio dia 24 de Março, durante um Plenário de Estudantes, reconhece-se, entre outros, no segundo a contar da esquerda, sentado na bancada, Jorge Sampaio, então Secretário-Geral da RIA (Reunião Inter-Associações), orgão coordenador do Movimento Associativo em Lisboa, e, como tal, o principal dirigente estudantil, sua cara e seu porta-voz. O sexto a contar da esquerda é este vosso amigo.
O documento é a lista das pessoas que, tendo sido separadas dos restantes colegas no Quartel da Parede, nas circunstâncias que acima descrevo.
Neste 50º aniversário, as comemorações terão, sem dúvida, mais repercussão. Afinal, sempre é meio século que passou... 

9.2.12

Memória Colonial VIII

Integro este post na série "Memória Colonial" sacrificando o rigor à facilidade.
Na verdade, neste caso não se trata de abordar, especificamente, a época colonial. Segundo o próprio autor, o livro constitui "uma caminhada pela História de Moçambique, da sua gente, da sua economia e da sua cultura", com um "objectivo (...) puramente informativo".
Contudo, a série "Memória Colonial" pretende assinalar - e, por extensão, chamar a atenção dos meus poucos leitores - para trabalhos relacionados com o período colonial, coisa que este livro é, embora só parcialmente.

Por outro lado, cabe sublinhar a forte ligação do autor a Montepuez, onde viveu por muito tempo e a que permanece emocionalmente ligado.

Aurélio Rocha, o meu primo Lelo, cujas fotos de infância já publiquei (por exemplo aqui) e que, muito gentilmente, me autorizou a utilizar textos seus para a série "Apontamentos sobre as origens históricas de Montepuez" - que  pode consultar clicando, na coluna "Marcadores", no lado direito do blog, em "História".
Clicar para aumentar
É, como já tive ocasião de mencionar, um reputado Historiador, docente da Universidade Eduardo Mondlane.
Publico, também, cópia da contracapa do livro, com uma Nota Biográfica.
"Moçambique História e Cultura" é uma leitura altamente interessante, com uma abordagem que permite uma visão muito completamente da História de Moçambique por qualquer leigo.

Aurélio Rocha
Moçambique História e Cultura (2006)
Ed. Texto Editores

12.12.11

IMPOSTO DE PALHOTA

O Imposto de Palhota, para muitos um dos maiores símbolos da opressão colonial, foi copiado de um tributo da mesma natureza que era cobrado nos territórios africanos sob administração inglesa.
Na área que nos interessa e que coincide com o território da concessão da Companhia do Niassa, começou a ser cobrado em 1897 e chegou a constituir uma das maiores receitas da Companhia e, mais tarde, da administração colonial.
As tabelas de cobrança do Imposto de Palhota ilustravam as delimitações territoriais das divisões administrativas dos territórios.
Por isso, no caso de Montepuez, o Imposto só começou a ser cobrado bastante mais tarde, devido à “irrequietude” de vários chefes locais, designadamente o já várias vezes falado Mualia.
O Regulamento determinava que estavam sujeitos ao pagamento deste Imposto (de montante bastante alto) todos os proprietários de palhotas que servissem para habitação. Ele podia ser pago em dinheiro ou em géneros; porém, neste último caso, os géneros eram aceites por apenas 2/3 do seu valor de mercado.
Os mapas de cobrança foram muito úteis, também, para as actividades de recenseamento que, em outras coisas, era a base do recrutamento para o “contrato”, uma forma elaborada de trabalho obrigatório (ou forçado…) muitas vezes acompanhado de uma forma de degredo, uma vez que os “contratados” eram transportados para zonas por vezes muito distantes dos seus lugares de origem.
Entendido pelas populações a ele sujeitas como uma forma tirânica de dominação – “economia de extorsão”, chamou-lhe um estudioso – o Imposto de Palhota foi uma das bandeiras propagandísticas da FRELIMO.
Perdurou até 1961, data em que o início da guerra em Angola provocou algumas reformas coloniais que, evidentemente, foram feitas demasiado tarde e foram demasiado tímidas.

28.11.11

Apontamento sobre as origens históricas de Montepuez (6)


A população de Montepuez pertence ao grupo étnico (eu prefiro dizer grupo socio-cultural) Medo ou Meto. Na área do Distrito, com a população Macua-Medo coabitam dois clãs ajaua: um na sede (regedoria Mepima) e outra em Namuno (regedoria Macande). A sul, numa faixa de 25 quilómetros de profundidade marginando o rio Lúrio e na área do posto de Namuno, habita um grupo Macua.

Bandeira da Cidade de Montepuez
A planta comercial da povoação só foi aprovada em 1950, pela portaria nº 8.375 de 20 de Maio desse ano. A povoação teria que aguardar mais cinco anos até ver aprovadas as suas plantas geral e especial[1]. Em Março de 1959 foi extinta a circunscrição de Montepuez e criado em sua substituição o Concelho com o mesmo nome. A mesma portaria dotou o Concelho de uma comissão municipal e a consequente elevação da povoação de Montepuez a vila[2]. Em 1962, é concedido à vila de Montepuez o privilégio de usar escudo e armas e bandeira própria[3].

Nota minha: a 8 deOutubro de 1971, Montepuez foi elevada à categoria de Cidade e, em consequência, a 10 de Janeiro de 1972, a Portaria 9/72, adapta o seu Escudo de Armas, a Bandeira e o Selo que passam a ser:
"Armas: de negro carregado de três cápsulas de algodão de prata, surtidas de pedúnculos de verde e ouro. Coroa mural de prata de cinco torres. Listel branco tendo inscrito, em caracteres negros, «Cidade de Montepuez».Bandeira: gironada de branco e verde, cordões e borlas de prata e verde. Lança e haste douradas.Selo: dentro de listel circular com as palavras «Câmara Municipal de Montepuez», a mesma composição de armas sem a indicação dos esmaltes."

A maioria da população do actual Distrito de Montepuez segue os ritos e práticas animistas. Porém, é importante considerar, numa percentagem significativa, os seguidores do Islão. A religião islâmica, cuja presença na costa é secular (e, por isso, mais influente do que no interior), teve grande aceitação entre os Medo por muitas das suas práticas e preceitos se conciliarem com as práticas culturais locais. Isso talvez explique as práticas sincretistas a que facilmente aderem os Medo, que assim mantêm quase intactas as suas práticas animistas. Mas, sincretismos há-os na região, como aliás em todo o Moçambique, de várias origens religiosas!

O cristianismo começou as suas incursões na região ainda no século XIX, quando, em 1893 se noticia uma tentativa da Igreja Católica de fundar no Medo uma missão, por iniciativa do prelado António Barroso. Em 1906, a IC, através do Bispo D. Francisco Ferreira da Silva, volta a manifestar a necessidade de se criar na região uma missão católica. Porém, é só em Maio de 1921 que chegam a Namuno os primeiros padres missionários, provavelmente holandeses, vindos da Niassalândia (hoje Malawi).

Está ainda em actividade na região do Medo, a missão de São José (Montepuez)[4], que durante muitos anos foi assistida pelos padres holandeses monfortinos com o apoio de irmãs italianas da Ordem Consolata. Creio que hoje a missão é assistida também por padres moçambicanos, na linha do que foi a moçambicanização do clero, um pouco por toda a parte, após a independência do país. Até à independência, existiam ainda as missões católicas de São Luís de Monfort (Mesa), Santa Maria (Namuno)[5] e São Francisco Xavier (Balama), também elas regidas pelos padres holandeses monfortinos. Creio que hoje, algumas destas missões estão desactivadas e não sei que uso foi dado às excelentes (para a época, pelo menos!) instalações e infraestruturas que os missionários ali montaram.

Existia [NB: não tenho a certeza de ainda existir...] uma representação da Missão de Combate à(s) Tripanosomíase(s) [MCT], em Balama, onde funcionava um hospital privativo, dotado de equipamento adequado, um médico e pessoal de enfermagem devidamente habilitado, que percorriam regularmente as áreas infectadas pela mosca do sono. O Chefe da MCT, pelo menos até ao início da década de 60, foi o dr. Raul Nunes Sintra (Balama).

Nota minha: Falei do Dr. Cintra aqui. Houve outro médico de Balama, sucessor do Dr. Cintra, que lá deixou marca também, o Dr. Rui Pinto do Carmo a quem chamavam o "doutor preto". Era casado com uma Senhora encantadora, a Srª. D. Agostinha.

Em toda a área do distrito se cultiva o algodão, a principal cultura de rendimento. Actualmente o tratamento e a comercialização do algodão recolhido está a cargo de uma empresa de capitais maioritariamente britânicos, a LOMACO, que aqui se instalou na década de 80 do século passado, substituindo-se à SAGAL que foi, durante meio século a empresa algodoeira de referência nesta zona.

Nota minha: Já falei da Sagal aqui e aqui.

A cultura do algodão foi sempre praticada na região pelas famílias africanas. Já na ponta final do século XIX, a produção do algodão chegou a atingir as duas toneladas por ano, o que começava a justificar a sua comercialização. Até às primeiras décadas do século XX, na área do distrito de Montepuez, o algodão era adquirido por agentes intermediários (indianos, sobretudo) e pequenos armazenistas portugueses instalados no mato, para depois ser vendido a compradores franceses radicados nas ilhas do Índico (Reunião, Maurícia e Madagascar).

A partir da década de 30, especialmente a partir de 1938, com a criação da Junta de Exportações do Algodão Colonial (JEAC), a cultura do algodão passou a estar sujeita a um regime de cultivo obrigatório, em que os agricultores eram obrigados a produzir segundo uma quota imposta pela autoridade colonial, através da JEAC. O algodão era levado pelos agricultores para mercados controlados pelo governo, que estabelecia também os preços e depois entregue às empresas algodoeiras, neste caso a SAGAL. Dados estatísticos oficiais apontam para uma produção, em 1955, de cerca de 15 mil toneladas só na área do Distrito de Montepuez.

Com a passagem do monopólio para a LOMACO, esta empresa decidiu não investir na cultura directa, em áreas de plantação própria, preferindo antes investir na produção familiar. Paralelamente ao cultivo do algodão para comercialização, os agricultores moçambicanos produzem para sustento nas suas machambas onde cultivam, entre outros produtos, o milho, a mandioca e o feijão nhemba.

Outra das riquezas e fonte de rendimento importante de Montepuez é o mármore, cuja exploração comercial se começou a fazer nos anos sessenta do século passado. Aqui se extra mármore de excelente qualidade, que é depois exportado para mercados diversificados, nomeadamente para Portugal. A maior empresa actualmente é a Marmonte, de capitais portugueses (c. 80%) e moçambicanos (c. 20%). Existe em Pemba uma fábrica de corte e polimento que é detentora de equipamento moderno e sofisticado. Segundo dados oficiais, saiem de Pemba em média, mensalmente, de 5 a 6 contentores com destino à Europa.

A população do Distrito de Montepuez hoje, deve rondar as 200 mil pessoa se não mais. Tenho dados estatísticos para 1950 que indicam que a população total do Distrito era de 130.344 pessoas. Na localidade sede do Concelho de Montepuez destacam-se 5 áreas: Centro, Nepara, Sanina, Sagal e Missão. Não estou bem recordado, mas tenho a ideia de que o mais importante régulo da sede do Distrito, ou o que mais prestígio tinha, era o Régulo Mepima [Poderá o Turita confirmar isto?]. Na área de Balama era, indiscutivelmente, o Mualia. Ainda conheci o filho mais velho do último Mualia, cujo nome não recordo, na década de 80, aqui em Maputo; tinha viajado com o tio Augusto de avião para Maputo e foi-me apresentado, salvo erro, mesmo no aeroporto! Em Namuno, lembro-me de ouvir a tia Silvina ou o tio Júlio (ou ambos) falar muito no Régulo Namicópué ou Namacópué; presumo, por isso, ser ali o mais prestigiado dos régulos. Havia ainda o Régulo Pitacula, de Melôco, famoso pela reverência relativamente à autoridade portuguesa, mas que tinha um enorme prestígio em todo o Distrito. Era o maior contribuinte em termos de imposto(!), mas talvez por ser o regulado mais populoso do Distrito.

Nota minha: Falei do Mualia várias vezes, do seu antigo poder e prestígio e do facto de o Natupile se encontrar nos seus territórios; falei aqui, também, do seu filho (referido no texto acima e nosso companheiro de brincadeira), de cujo nome julgo, agora, lembrar-me: Manuel.

Aqui ficam algumas notas (modesto contributo...) sobre a história de Montepuez. Tenho mais elementos dispersos por várias caixas de arquivo e alguns documentos já referenciados no Arquivo Histórico, que, com tempo, vou certamente escrever mais alguma coisa sobre a terra.  


Maputo, Outubro/Novembro de 2011


     Aurélio Rocha












[1]. Aprovadas pela portaria nº 11.146 de 12 de Novembro de 1955. 
[2]. Portaria nº 13.011 de 7 de Março de 1959, Boletim Oficial nº 10/1959.
[3]. Diploma Legislativo nº 2.279 de 18 de Setembro de 1962, Boletim Oficial nº 37/962, 3º suplemento.
[4]. Criada em 1939 pela Portaria nº 3.850, Boletim Oficial º 42/1939. 
[5]. A mesma Portaria nº 3.850 criou a Missão de Santa Maria, em Namuno. 

23.11.11

Apontamentos sobre as origens históricas de Montepuez (5)


Em  9 de Março de 1916, a Alemanha declarou guerra a Portugal.* No ano de 1917 registam-se combates na região do Medo entre as forças portuguesas e alemãs, tendo estas atacado o posto de Montepuez no dia 10 de Julho de 1917. Registam-se mais combates em 3, 6, 7 e 8 de Novembro de 1917. Em 8 de Novembro dá-se o combate de M´kula. As terras do Medo foram palco de combates até finais de 1917, tal como as terras maconde.

Na década de 20, o imposto de palhota já era cobrado regularmente em toda a região do Medo. Enquanto em 1903 foram para o posto do Medo 500 bilhetes de imposto, em 1927/29 eram já 35 mil os bilhetes de imposto cobrados. Estavam isentos de imposto os «indígenas» menores de 13 anos e maiores de 60 anos. Em 1927 (outros referem que foi em 1923!), passou pela primeira vez um carro pela estrada Montepuez-Namuno-Nanripo. O carro era do chefe do posto, tenente Carmona (seria o Carmona que depois foi PR com o Salazar?). *2

Em 14 de Setembro de 1929, o Governador Geral José Cabral mandou publicar no Boletim Oficial um Diploma Legislativo que, provisoriamente, dividia os distritos de Cabo Delgado e Niassa, em 13 circunscrições civis, correspondentes aos 13 concelhos e 33 postos administrativos, em que estavam sub-divididos os territórios do Niassa[1]. Em Outubro deste mesmo ano, cessou o contrato de concessão à majestática Companhia do Niassa, cujo território passou definitivamente a estar sob administração directa do Estado Português[2].

Montepuez foi a oitava circunscrição civil criada no distrito de Cabo Delgado, com sede na povoação de Montepuez e dividida em 4 postos administrativos: Meloco, Balama, Namuno e Nungo. Mais tarde, o Nungo passou para a jurisdição de Marrupa(?), no Niassa. Estranhamente, em 1931, uma portaria manda criar a povoação comercial de Montepuez, quando já era sede de circunscrição, criada em 1929[3]. Em 1950, a portaria nº 8.375 aprovou a planta da povoação de Montepuez[4].

Em 1931/32, 1932 e 1933 são várias as informações relacionadas com o algodão. Há referências à SAGAL. Nesta data, o governo obriga já os «indígenas» a cultivar algodão. É mencionado o administrador de Montepuez, de seu nome José da Costa (tenente do exército), que tem fama de rigoroso e cujas medidas terão provocado muitos milandos (milatu). [NB: não será o tristemente célebre José de Castro? Parece haver aqui uma distorção do nome..., mas no documento vem assim!].*3

A área aproximada da Circunscrição de Montepuez era, nos anos 60, de 24.500 quilómetros quadrados. Na mesma data, os seus limites eram, em 1965: a Norte, as circunscrições de Quissanga e Macondes; a Sul, o rio Lúrio e a circunscrição de Ribaué; a Leste, o concelho de Porto Amélia (Pemba) e a circunscrição de Mecúfi; a Oeste, a circunscrição de Marrupa. Tinha sob sua jurisdição, além do posto-sede, os postos administrativos de Namuno, Balama e Meloco. Entre 1940 e 1950 foram criadas as povoações comerciais de Meloco, Namuno, Balama, Namanhumbire, Nanripo, Nicócué, Muico, Maringa, Mesa, Napá e Inquinjir. Na década de 40, Namuno, Balama e Melôco foram elevados à categoria de posto administrativo.




[1]. Boletim Oficial nº 37, I Série.
[2]. O Decreto nº 16.757 de 20 de Abril mandava que em 27 de Outubro cessasse a delegação de atribuições do Estado à Companhia do Niassa.
[3]. Portaria nº 1.379 de 11 de Julho de 1931, Boletim Oficial nº      /1931.
[4]. Portaria nº 8.375, Boletim Oficial nº 20/1950. 





Nota minha – Ver a série “Montepuez na Grande Guerra”
*Nota minha – Julgo que não. Não consta que o Marechal Carmona que foi PR de Salazar tenha tido qualquer passagem pelas colónias. Era “maçon”, combateu na Flandres e, depois, tornou-se um dos típicos oficiais-politicos que enxamearam a I República. Foi Presidente do Tribunal Militar (julgou, por exemplo, os acontecimentos de 19 de Outubro de 1921, o chamado caso da “Camioneta Fantasma” e os assassinatos dos “Heróis da Rotunda” Machado dos Santos e Carlos da Maia.
*Nota minha  Não sei se esse a que o Lelo se refere mas ainda conheci um José de Castro, já muito velho, um indefectível monárquico, sempre vestido de branco e de calções, com um capacete colonial; lembro-me de uma visita a Porto Amélia do então Duque de Bragança e pretende ao trono, o D. Duarte Nuno, e de ter sido o José de Castro a “fazer as honras”. Lembro-me, também, da estranheza que senti ao vê-lo beijar a mão do homenzinho de bigode. Eu teria 9 ou 10 anos e, durante uns meses, fui um convicto monárquico!!

22.11.11

Apontamentos sobre as origens históricas de Montepuez (4)



Em 1905 foi pela primeira vez cobrado o imposto de palhota no Concelho do Medo, com sede em Mualia. Havia no posto de Mualia 50 soldados. Em 20 de Setembro de 1908, a sede do concelho do Medo foi tranferida para a serra Nachila (!) [está assim no documento que consultei]. Deve ter sido só em 1910 que a região do Medo foi efectivamente ocupada, na altura em que era chefe do concelho um tal de nome Tavares(!), que os locais apelidaram de «kharamo» (leão), por causa das suas manhas e barbaridades cometidas.

Em Junho de 1911 foi estabelecido um posto no Mole (Nanthepo, Nantato). Em Outubro de 1912 foi submetido o grande Mataca (Ajaua),* após o que foi considerada ocupada toda a região do Niassa (Companhia do Niassa). Em 1913 fala há referências à existência de um posto em M´loco (Meloco). Neste ano foi ainda instalado um posto em Namuno em substituição do posto de Mole, que foi extinto. Das terras do Mole tinham fugido muitos indígenas, em consequência dos maus tratamentos infligidos pelo chefe de posto. Em 1913 e 1914, a sede do Concelho do Medo estava ainda em Mualia.

Em 31 de Março de 1916, a sede do Concelho passou para Namuno. A sede do Concelho do Medo volta a ser transferida em Dezembro de 1916, desta vez para Montepuez. É a primeira vez que aparece o nome de Montepuez como povoação importante (sede de Concelho) na região. Em 1917, é mencionado pela primeira vez o posto de Balama. Na mesma informação diz-se que  o posto de Mualia está vago. É assinalada, em 1921, a presença do comerciante indiano, Selemane Ali, como tendo aberto loja em Namuno, na povoação de Chacame. Em Fevereiro de 1926 são criadas povoações comerciais em Namuno e Balama.


*Nota minha - O poder real do Mataca manteve-se ao longo dos tempos e a disposição anti-portuguesa dos Ajauas de que ele era o principal potentado também.
Como uma grande parte deles aderiu à FRELIMO, a Administração Portuguesa tentou, através da captura do grande régulo, inverter a situação. Mas, de facto, enquanto o Mataca esteve detido, houve um acentuado recrudescer das actividades "subversivas" dos Ajauas da influência que ele exercia sobre os elementos daquela etnia.
O Mataca viria a ser resgatado pela FRELIMO, numa operação comandada pelo próprio Samora Machel [ver Francisco Miguel Garcia in "Análise Global de uma Guerra (Moçambique 1964-1974) - Out / 2001]

19.11.11

Apontamentos sobre as origens históricas de Montepuez (3)




As referências à região do Medo remontam a, pelo menos, meados do século XIX, quando em 1857 se anuncia que alguns dos principais régulos Medo prestaram vassalagem. Um dos grandes régulos da região, se não o principal, era já nesta altura o Mualia. Em 1893 reinava no Medo o régulo Mualia Anamiri. Sabe-se que em 1888 tinha falecido o régulo Mualia Midala, a quem sucedeu o Mualia Nicolo. Em 1878 dizia-se que a maioria dos produtos que se exportavam pela alfândega do Ibo provinham do Medo.

Em 27 de Outubro de 1894, o norte de Moçambique (os actuais Niassa e cabo Delgado) passa a ser administrado pela majestática Companhia do Niassa, cujo contrato será dado por terminado em 1929, retomando o Estado português a administração do território[2]. Em 1896 já existia um posto militar português no Mualia, de que era chefe um tal José da Silva Correia.

Em Maio de 1899, foi criado o Concelho do Medo, estabelecendo-se a sua sede nas terras do régulo Mueri, junto à serra de Nanripo. Em Julho do mesmo ano, foi reconfirmado o posto militar nas terras do régulo Mualia, que aqui se mantinha ainda em Dezembro, apesar da constante oposição da população local, que por mais de uma vez o atacou. Em 28 de Junho de 1899 terá mesmo havido um violento ataque dos homens de Mualia ao posto. São ainda referidos ataques nos dias 25 de Julho e 17 de Agosto.

Um documento de arquivo refere que em Agosto de 1900, o posto de Mualia foi visitado por uma embaixada do régulo Mahua, que ali foi com o pretexto de “prestar vassalagem”. Dessa visita parece ter resultado um acordo para instalar um destacamento militar em Mahua, o que veio a acontecer em Fevereiro de 1901.

Em 1903 estava em construção uma estrada entre Mualia e Montepuez. Neste ano fala-se na submissão total do Mualia, mas na verdade, essa submissão consistia apenas no compromisso em não atacar as forças e postos portugueses. Há informações que dão conta de as forças do Mualia estarem equipadas com armas de fogo. Em Setembro e Outubro de 1903, o Mualia fez exercício de fogo com a sua gente, ouvindo-se tiros na povoação a pequena distância do posto militar português.

O régulo Mualia “havia tanto tempo rebelado”, é dado com definitivamente submetido em 1905. Uma informação dá conta de muitas mulheres e crianças terem sido apanhadas pelos soldados, encerradas em palhotas, que a seguir foram incendiadas. Essa terá sido a forma de submeter o régulo Mualia, que foi preso e deportado para local desconhecido, mas muito provavelmente para a Ilha do Ibo ou a Ilha de Moçambique.


[2]. O Governo Português concedeu, por arrendamento, à Companhia do Niassa os territórios a sul do Rovuma e a norte do Lúrio, correspondente à área onde hoje se situam as províncias de Cabo Delgado e Niassa [Decreto com força de lei de 26 de Novembro de 1891].


Nota minha: Falo aqui de como descobri a importância do Mualia, em cujas terras se situava a machamba do Natupile e que tinha, com o meu Pai, excelentes relações.


18.11.11

Um comentário

A propósito de um post anterior, o meu primo Lelo enviou-me a mensagem:


"Vou tentar fazer um pequeno comentário a propósito do busto do Churchill, de quem o teu pai era, sem dúvida, um admirador. Lembro-me de com ele conversar, nos anos anteriores à sua ida para Portugal, a propósito do Churchill, sobre o que poderia ser o melhor sistema político para Moçambique. Como te recordas, estavamos em plena época da declaração do regime marxista por decreto, o que o deixava, obviamente, bastante inquieto. Para mim era ainda o tempo das ilusões, mas, na verdade já menos entusiasta do que antes. Após algumas conversas, e de novo regressado de Montepuez, trouxe-me três livros dos discursos do Churchill, cuja leitura me recomendou. Interrogo-me agora se não terás sido tu que lhos trouxeste numa das tuas férias? Lembrei-me agora de os procurara, pois estão dentro deuma caixa de arquivo juntamente com outros livros a necessitar de restauração. Estão já muito amarelecidos e com as folhas quase todas soltas. Mas, estão protegidos! O que era para mim interessante era como ele defendia então a democracia tal como era interpretada pelo Churchill."


O meu Pai não era o que, na altura, chamaríamos um "democrata" nem sequer um "oposicionista". Mas era um Homem excepcionalmente culto e, sobretudo, de muito boa formação moral.
Durante a Guerra, "por ódio ao boche" como ali escrevi, mas também por amor à "sua" França, brutalmente violentada pela besta nazi, não hesitou por um momento, ao contrário do Governo português, em defender os Aliados e o seu líder e inspirador Winston Churchil e passou, também, a apreciar o General De Gaulle, dirigente da "França Livre".
Desta admiração fui testemunha, então já capaz de entender a política e os seus desenvolvimentos, em 1958, quando, na sequência do "Golpe dos Generais" de Argel, De Gaulle voltou "aux affaires", como dizia.

17.11.11

Apontamentos sobre as origens históricas de Montepuez (2)


São parcas as referências a Montepuez e à sua história até às duas primeiras décadas do século XX, talvez porque não se conhecem na zona operações de vulto, devido, diz alguma documentação administrativa, à “passividade das suas populações”. Ora, estando Montepuez situada bem no coração do país Medo (também se diz Meto ou Metho), esta ideia pode ser facilmente contestada, uma vez que são por demais conhecidas as dificuldades das forças portuguesas e da Companhia do Niassa para submeter a região.

Montepuez (também chamado por Montepezi ou Montepuezi) aparece referenciado no Dicionário Corographico da Província de Moçambique de 1889, como “uma povoação situada nas margens do rio do mesmo nome, distrito de Cabo Delgado”.

O Dicionário Corographico da Província de Moçambique de 1919 (1º volume), refere-se a Montepuez como sendo um “posto militar do território da Companhia do Niassa, no concelho do Medo”, na longitude aproximada de 39º 5´ (E.G.). Estava situado na margem direita do rio Montepuez, a cerca de 145 quilómetros do litoral[1].



[1]. Refre-se certamente à distância em linha recta, pois sabemos que Montepuez dista de Pemba aproximadamente 250 quilómetros.

Nota minha: Aliás, como se pode ver neste post, o Governador Ernesto Jardim de Vilhena, da Companhia do Niaassa, já refere, em 1905, num célebre Relatório, "Montepues" (sic) como sede do "Concelho do Medo".

Apontamentos sobre as origens históricas de Montepuez (1)





Inicio hoje uma série de posts sobre a história de Montepuez.
Trata-se de breves apontamentos, sem grandes preocupações científicas (tal como a série “Montepuez na Grande Guerra”), mas que se inscrevem naquela “zona de penumbra entre a história e a memória” de que fala Eric Hobsbawm e que eu transcrevi no post Citação IX.
De resto, publiquei aquelas palavras do autor d’ “A Era dos Impérios” como uma espécie de epígrafe para esta série.
O seu conteúdo deve-se essencialmente ao meu primo Aurélio Rocha (Lelo) da Universidade Eduardo Mondlane, historiador, com uma obra publicada já vasta.
Complementarei, quando for caso disso, os apontamentos do Lelo, assinalando sempre esse facto, pelo que, se nada estiver dito, pode concluir-se que se trata de palavras suas e não minhas.

9.11.11

Montepuez na Grande Guerra - V

Metralhadora alemã


Transcrevo alguamas passagens da obra do General Lettow-Vorbeck, 
As Minhas Memórias da África Oriental
, que foi traduzida, em 1923, por Abílio Pais de Ramos:


“O destacamento de Wahle, que nos havia seguido de Chirumba para Mtende, foi isolado por diversas companhias inimigas que apareceram inesperadamente numa posição à sua retaguarda, e que interromperam os serviços de ligação e transportes. 0 General Wahle desembaraçou-se engenhosamente desta situação desconfortável, e conseguiu aproximar-se mais do Quartel General, em Nanungu.
Encontrámos aqui víveres em abundância e recomeçámos o estabelecimento de postos de racionamento e depósitos de géneros na região entre Nanungu e Namuna, e ainda mais para o sul. Havia muito boa caça, e os indígenas apresentavam-se voluntariamente com os produtos das hortas e com mel, para os trocarem por fato e por carne. Apareceram muito a tempo uns frutos muito doces que amadureciam aos milhões em Nanungu. Eu preferia come-los em conserva. Ainda encontrámos outras especialidades, como por exemplo, tubaras O cantar dos galos proclamava bem alto e a distancia a existência de ovos e galináceos pelo campo.”

Nota: Nanungu é, certamente, o NUNGO, a localidae relativamente próxima de Mocímbua; e Namuna, não tenho dúvidas, correponde a Namuno, há trinta anos um Posto Administrativo pertencente a Montepuez e hoje o Distrito do mesmo nome, onde o meu Tio Júlio Ferreira tinha uma machamba.

“Em 5 de Dezembro, o Capitão Koehl, com 5 companhias, uma peça e uma coluna de munições, partiu de Nangwale em direcção ao distrito de Mwalia-Médo. Quanto a mim, continuei a marcha pelo Ludjenda.”

Nota: Já aqui falei do Régulo Mualia e da sua região, na qual estava situada a machamba do meu Pai, o Natupile. Tenho, agora, a confirmação de que as tropas alemãs tinham estado na zona do Natupile (e, talvez, aí tivessem decorrido combates ou escaramuças), o que, segundo julgo (mas não juro…), penso ter ouvido referir ao meu Pai.

“O início da estação das chuvas não coincidiu bem com a precisão dos indígenas. Houve algumas bátegas de água violentas, mas esta escoava-se rapidamente para o rio Msalu, a principal linha de água da região, que em pouco tempo se encheu por forma a constituir um obstáculo forte.
(…)
Encontrámos aqui víveres em abundância e recomeçámos o estabelecimento de postos de racionamento e depósitos de géneros na região entre Nanungu e Namuna, e ainda mais para o sul. Havia muito boa caça, e os indígenas apresentavam-se voluntariamente com os produtos das hortas e com mel, para os trocarem por fato e por carne. Apareceram muito a tempo uns frutos muito doces que amadureciam aos milhões em Nanungu. Eu preferia come-los em conserva. Ainda encontrámos outras especialidades, como por exemplo, tubaras O cantar dos galos proclamava bem alto e a distancia a existência de ovos e galináceos pelo campo.”

Nota: De novo, referências ao Nungo e a Namuno. E, agora, aparece o Rio Msalu, o “nosso” Messalo que corre junto ao Nairoto. Aí houer, certamente, combates. E lembro-me bem (assim como o meu irmão Turita), de uma enorme caverna não natural escavada na parede de um desses colosssos granítico que emergem do solo na região; e recordo-me que “sabiamos” que tinha sido “um tiro de canhão” o que causara o fenómeno.

3.11.11

Montepuez na Grande Guerra - IV

Paul Emil von Lettow-Vorbeck


Paul Emil von Lettow-Vorbeck (1870-1964) foi um dos mais experientes e destacados Generais alemães.
Nascido no seio de uma família de militares, combateu na China durante a Revolta dos “boxers”, na colónia alemã do sudoeste Africano, a actual Namíbia, e seguidamente, com o posto de Coronel, foi enviado para a colónia da África Oriental alemã, no território da actual Tanzânia, durante o período que nos interessa, e aí comandou as tropas coloniais.
Durante os quatro anos que durou a guerra, com uma força que nunca ultrapassou os 14 mil homens, dos quais 11 mil askari(*) e 3 mil alemães, opôs-se, sempre vitoriosamente, às tropas britânicas, belgas e portuguesas que, no seu conjunto chegaram a ultrapassar os 200 mil soldados.
 Nas suas incursões por colónias britânicas e portuguesas conduziu uma guerra que era uma curiosa misturadetácticas de guerrilha que fazem dele um émulo de Giap e Mao Zedong e práticas cavalheirescas que, como lídimo junker, ainda presava; por exemplo, tinha por hábito oferecer a liberdade aos oficiais inimigos aprisionados contra a promessa de não voltarem a combater.
Conseguiu transmitir aos seus homens, incluindo aos “ferozes” askari, essa mistura de férrea disciplina e de princípios “morais” e os seus subordinados seguiam-lhe o exemplo.
Capitão Francisco Curado
Assim, um dos poucos ofiviais portugueses que ofereceu alguma resistência digna desse nome às tropas alemãs, o Capitão Francisco Curado que as enfrentou heroicamente na batalha da Serra de Mecula, situada na actual Província do Niassa, viu o comandante das forças inimigas, o General Whale (comandante da coluna que ocupou, durante meses, a região de Montepuez), além de prestar honras militares ao Alferes Viriato de Lacerda (**), morto nesse combate, e de lhe oferecer a liberdade em troca do compromisso acima referido que ele recusou, libertá-lo à mesma e oferecer-lhe uma espada como prova de reconhecimento do seu comportamento heróico.
As tropas de von Lettow transportavam consigo os seus meios de subsistência, incluindo uma pequena manada de vacas, tinham instruções para não hostilizar as populações, o saque e a pilhagem fora das operações militares eram punidos com fuzilamento.
Terminada a guerra, Paul Emil von Lettow-Vorbeck regressou à Alemanha onde, apesar da derrota, teve direito a um desfile triunfal.
Por tradição familiar e convicção de classe, von Lettow era um anti-comunista ferrenho e participou na repressão aos Spartakistas comunistas.
No entanto, nunca pactuou com o nazismo ou com Hitler e, enquanto deputado ao Reichtag (1928-1930) participou de várias tentativas (frustradas) de criar uma coligação anti-nazi.


(*)Askari - palavra swahili que significa “soldado” e serviu para designar as tropas nativas que combateram na África Oriental. Corresponde aos cipaios, palavra que, por sua vez, é proveniente do híndi  shipahi.


(**)O Alferes Viriato de Lacerda, promovido ao posto de  Tenente a título póstumo, foi um dos "Cadetes da Rotunda" qe lutou ao lado de Machado dos Santos em 5 de Outubro de 1910.