A fotografia, algo deteriorada, foi captada no court de ténis do Club.
O fotografo, fosse quem fosse, ou não era muito dotado para essa arte ou estava descuidado: deixa que a sua própria sombra interfira, impedindo o olhar de se fixar na angélica face do bambino.
Ao fundo, outro infante, talvez segurando uma raquete, que não é possível identificar.
Como disse Proust, "a melhor parte da nossa memória está (...) fora de nós. Está num ar de chuva, num cheiro a quarto fechado ou no de um primeiro fogaréu, seja onde for que de nós mesmos encontremos aquilo que a nossa inteligência pusera de parte, a última reserva do passado, a melhor, aquela que, quando se esgotam todas as outras, sabe ainda fazer-nos chorar".
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7.3.12
24.2.12
Teresa e Augusto Zé
Os meus primos Teresa e Augusto Zé Russo Ferreira, junto à piscina do Natupile.
Os Pais, a Tia Silvina e o Tio Júlio, tinham uma machamba em Namuno mas habitualmente estavam em Montepuez.
O Augusto Zé era um dos melhores "assobiadores" de Montepuez e arredores, título que disputava com o Claudino Bagorro, Depois de vir de Coimbra, aventurava-se por cantorias de mornas e coladeras que colegas caboverdianos o tinham feito descobrir.
Mas bom, bom mesmo, era nas canções mexicanas, tipo "Cucurrucucu paloma" e similares, cheias de gorgeios e efeitos de voz (a qual estava longe de ser excelente).
Era, também, exímio no poker de dados com que dirimiamos quotidianamente a dúvida de saber quem pagava o whisky pré-almoço, na varanda do Teixeira & Ramalho.
Mas isso foi uns bons anos mais tarde...
23.2.12
Afirma a Lena
Escreve a Lena, no verso da fotografia:
Esta fotografia é a única em que a nossa Mãe está com todas as Tias. Está o Almeida, a Mãezinha, a Tia Aninhas, a Tia Conceição, a Tia Mariana (de chapéu), a Tia Silvina e a Tia Irene.
E, digo eu, no meio, a Belita, a Fernanda e a Teresa. Acho que, atrás da Belita, a espreitar, é a Lena. À frente, de pé e com um joelho enfaixado, apresenta-se o Beto. Não identifico quem está a seguir mas, depois, estou eu e o Lelo.
Não sei se é a única em que estão todas.
Julgava que havia, pelo menos, uma outra. Mas, de facto, falta nela a Tia Irene.
13.2.12
Os "grandes" e eu
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| Eu com os "grandes" |
Como escrevi no post anterior, os primos "grandes" da tribo, eram o Zé Maria, o Júlio e o Joaquim.
Eles eram, de algum modo, os nossos (os mais novos) modelos.
O Zé Maria está à esquerda, já com o ar displicentemente "jamesdeaneano" que mais tarde havia de cultivar conscientemente.
À direita, o Júlio, o mais espalha-brasas e irrequieto.
Em pé, compenetrado e compostinho, o Joaquim, que havia de ser the great white hope do futebol, promessa não totalmente cumprida, embora tenha chegado a jogar na Académica de Coimbra.
Sentado, de frente para a câmara, certamente orgulhoso por ser fotografado naquela companhia, "este que se assina"
Ao fundo, a Serra compõe o skyline de Montepuez e leva-me a pensar que a foto é tirada no court de ténis do Clube.
Zé Maria e Maria Cândida, os "grandes"
O meu primo Zé Maria Teixeira era o mais velho da "segunda geração" da tribo e integrava o grupo dos primos "mais velhos", como Júlio (aqui) e o Joaquim Russo Ferreira.
O Zé Maria, que cultivava uma parecença com James Dean que acentuava com a forma de pentear o cabelo, com a postura melancólica e o uso de jeans e golas da camisa levantadas, era um dos meus heróis infantis, sobretudo depois de voltar de Coimbra, muito "cosmopolita" e "europeu".
À sua direita, está a Maria Cândida, minha prima pelo lado materno que viria a casar com o meu primo (do lado paterno) José Sobral, grande amigo do meu Pai e filho daquele casal de pioneiros que "crismou" Cuamba como "Nova Freixo" e que evoquei aqui.
À direita da Maria Cândida, está a Belita Ramalho, à esquerda do Zé Maria, a sua irmão Fernanda e, confortavelmente instalada no guiador da ginga, esá minha irmã Lena.
Já que falei da "segunda geração" da tribo, falemos da terceira, da prole dos fotografados.
Dois filhos do Zé Maria, o Miguel e o Pedro; três filhas da Maria Cândida e do Zé Sobral, Belinha, Luíza e Sãozinha; da Belita, a Menita (Filomena) e os gémeos Jorge Manuel e Manuel Jorge; da Fernanda, o Joca e o Fernando (ver aqui uma foto); finalmente, da minha irmão Lena, os meus sobrinhos Nuno e Jorge.
Poupo-vos, por enquanto, à "quarta geração"...
30.1.12
Fernanda e Turita
29.1.12
Errâncias V
Não será por isso que o dia
ficará na História mas a verdade é que nasci a 4 de Setembro de 1943, na
belíssima Porto Amélia, junto ao Índico, na casa (onde também ele nasceu) mostrada na foto abaixo, enviada pelo Lelo.
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Casa em que nasci em Porto Amélia, que é hoje
uma loja de materiais de
construção.
Já antes tinha sido lojoa mas de material
eléctrico – a Electro
Pamélia.
|
Cedo me levaram meus pais (soa um
pouco a “Menina e Moça”...) para não muito longes terras, isto é, para o
Natupile.
Da minha mais tenra infância na machamba, já aqui falei.
Com a entrada na Escola, as
visitas de meus Pais a Montepuez (cerca de 50 Km de distancia) tornaram-se mais
frequentes, enquanto eu era acolhido em casa da Tia Conceição e do Tio
Teixeira, junto dos meus primos Fernanda e Zé Maria e da Avó Nazaré (ver aqui).
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| Na fila de trás: uma marrussi, a Maria Cândida, aTia Conceição e a Fernanda . Na da frente, eu e o A.ugusto Zé |
Da Escola, recordo-me de algumas
aulas dadas nas instalações do Clube (o Glorioso Atlético!), talvez devido a
obras no outro edifício; lembro-me do Professor Bouça, um senhor que infundia um salutar
terror nos seus discípulos, ostentava umas ameaçadoras e hirsutas sobrancelhas e
fazia generoso uso da “menina de cinco olhos” e da cana, esse eficiente
auxiliar pedagógico.
Da casa da Tia Conceição nessa
época, recordo vividamente uma cena que muito me impressionou: pela
primeira vez vi uma galinha degolada a correr, às voltas, sem cabeça e sem
direcção. Julgo que tive alguns pesadelos e, muito mais tarde, ao
ler uma descrição assaz realista da decapitação de Luís XVI na guilhotina
parisiense, afirmando o autor que os olhos e a boca do infeliz Capeto ainda se
abriram e fecharam convulsivamente quando o carrasco Sansão mostrou a cabeça já
decepada à populaça, revivi a cena da galinha e acreditei piamente que o rei ou, melhor, a sua cabeça sobrevivera, por instantes, à máquina do Dr. Guillotin..
A propósito de galinhas, foi
também por essa altura que o gang infantil
da tribo encetou uma série de experiências científicas de “hipnotização” de galináceos. O
procedimento era o seguinte: agarrada a ave, metia-se-lhe a cabeça debaixo da
asa e desenhava-se um círculo na areia à volta do animal, enquanto se
pronunciavam, com voz cava, alguma palavras “hipnóticas”, ordenando que não
ultrapassasse a linha marcada. Ora acontecia que a galinha, sendo
reconhecidamente o mais estúpido dos animais, ficava quieta, sem fazer sequer
qualquer tentativa de retirar a cabeça da (incómoda) posição.
Uma outra descoberta científica
semelhante, na impressão causada, à da galinha sem cabeça, foi a da cauda da
lagartixa que, uma vez cortada, continua a contorcer-se freneticamente durante
bastante tempo. Temo que esse fenómenos tenha dado origem a alguns actos de
grande crueldade praticados contra um número indeterminado de lagartixas; a
única desculpa que me ocorre, é que é o experimentalismo que faz avançar a ciência
e como dizia o clássico “a experiência é a madre de todalas cosas”. Era um grupo de crianças sedentas de saber e não um bando de energúmenos.
Também somos culpados do
assassinato de uma pacífica cobra (não tenho a certeza se era pacífica e,
provavelmente, não o era).
Matei (ou ajudei a matar) algumas outras, a última há muito pouco tempo, na Residência da Embaixada de Portugal em Malta; mas aquela do quintal da casa da Tia Conceição foi a primeira.
Experimentei, pela primeira vez, um sentimento que, em mim, foi sempre menos forte e apetecido do que para um grande número de pessoas: a satisfação da caça, essa manifestação ancestral que está, talvez, na nossa memoria genética (se é que isso existe).
Matei (ou ajudei a matar) algumas outras, a última há muito pouco tempo, na Residência da Embaixada de Portugal em Malta; mas aquela do quintal da casa da Tia Conceição foi a primeira.
Experimentei, pela primeira vez, um sentimento que, em mim, foi sempre menos forte e apetecido do que para um grande número de pessoas: a satisfação da caça, essa manifestação ancestral que está, talvez, na nossa memoria genética (se é que isso existe).
A sensação de euforia não foi
menos intensa da que tive quando, muitos anos mais tarde, abati o meu primeiro
e único elefante.
“Abati” é uma forma de dizer;
apesar de o primo Junqueiro me garantir que sim, mantive para sempre a
desconfiança de que ele também disparara e que foi dele o tiro fatal.
A casa da Tia Conceição é um dos lugares da minha infância cuja lembrança permaneceu mais vívida.
28.1.12
A tribo, mais uma vez
Já publiquei aqui uma fotografia que deve ter sido feita na mesma ocasião: o carro é o mesmo, as crianças também, está o Almeida.
Há, porém, duas outras personagens: à direita o meu Tio António Teixeira (o "Teixeira" de Teixeira & Ramalho), prematuramente desaparecido, casado com a Tia Conceição e pai do Zé Maria e da Fernanda, que está à sua direita. À esquerda, o An´íbal, que viria a casar com a Ermelinda e, bastante depois da época da foto, haveria de instalar-se na África do Sul. Ao lado da Fernanda está a minha prima Teresa Russo Ferreira que tem a mão protectora no ombra da minha então minúscula irmã Lena. O Augusto Zé, irmão da Teresa, é abraçado por uma menina de feições estranhamente familiares (isto porque não sou capaz de a identificar). Depois está a minha prima Belita Ramalho. Por fim, empoleirado no capot do carro, este vosso amigo.21.1.12
As duas Tias
A Tia Irene e a Tia Aninhas.
Há imagens que nos interpelam de uma forma curiosa.
Esta fotografia mostra duas das minhas tias num local que não é identificável (por mim), sentadas no que parecem ser bancos de cozinha, ao ar livre.
Ambas sorriem, aparentemente sem se darem conta que estão a ser fotografadas, sem qualquer sugestão de "pose".
Estão a observar um acontecimento, isso parece claro - poderá ser uma festa, um jogo, um espectáculo, talvez crianças a brincar.
O que se estaria a passar? Que estariam a pensar? Haveria comentários, entre elas, sobre aquilo a que assistiam?
Não devia ser nada de misterioso, uma vez que tudo se passa no exterior de qualquer casa ou edifício; mas terá havido consequências importantes (ou interessantes), tristes ou felizes do que quer que seja que contemplam?
Se eu quisesse ser pomposo, diria que, a partir daqui, podia escrever um romance. Policial, por exemplo.
14.1.12
A piscina, outra vez
Na piscina do Natupile, outra vez.
À direita, o meu Pai; depois, a Belita, o Tio Ramalho (seu Pai), o Beto com a bóia/pneu.
No canto, o Lelo ou o Turita.
À direita, o meu Pai; depois, a Belita, o Tio Ramalho (seu Pai), o Beto com a bóia/pneu.
No canto, o Lelo ou o Turita.
13.1.12
Identificando
Volto a uma fotografia que já utilizei anteriormente para identificar algumas das pessoas que nela aparecem.
À esquerda, o meu Avô paterno António Augusto Dias e, a seu lado, o Sulemane, o homem que "tomou conta de mim" durante uma boa parte da minha infância, meu guardião e protector, comigo ao colo.
Na fila da frente os meus primos Júlio Ramalho e a sua irmã Belita e Joaquim Russo Ferreira com a irmã Teresa.
À direita, também ao colo , um bebé que deduzo ser o meu primo Augusto José Ferreira.
A fotografia datará de meados dos anos 40 e deve ter sido feita no Natupile.
9.1.12
Mais tribo...
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| Foto enviada pelo Lelo |
É tirada na entrada da casa da Tia Irene e do Tio Rocha, tantas vezes lugar de refúgio da ira paterna, despertada por algum disparate. Ali, com a cumplicidade da Tia Irene, esperávamos que a passagem de algum tempo, ou mesmo a intervenção da Tia, atenuasse a punição.
Dos presentes, tenho a certeza da Avó paterna e do Lelo, dos próprios, da Tia Irene (julgo lembrar-me do vestido - encarnado, às bolas brancas; o Tio Rocha está atrás da Tia e da sua Mãe. Ao lado esquerdo, na zona de sombra o Beto e, do lado esquerdo, arrisco o Aníbal (mas sem certezas).
Alguém me ajuda?
6.1.12
O Tio Rocha

O Tio Aires Rocha tinha um sotaque madeirense que nunca perdeu completamente e que, complementado por um permanente sorriso trocista, era uma marca distintiva muito pecular.
Quase sempre trajava de branco e o Lelo, seu filho mais novo, legendou esta foto definindo a calça e a balalaica brancas como o traje de que mais gostava.
Mas também me lembro de o ver de fato branco, talvez em ocasiões mais formais.
Já falei dele, a propósito do bar do Teixeira & Ramalho e do aperitivo de antes do almoço, o último whisky pedido já depois do quotidiano recado do empregado que vinha visar "patrão, senhora manda dizer que almoço está na mesa".Era casado com a Tia Irene, a mais nova das cinco irmãs e minha Mãe antecedia-a na escada descendente das idades.
Dos filhos, Adalberto (Beto) e Lelo (Aurélio, já falei várias vezes e mostrei fotografias, como esta aqui.
Foi em casa deles, em Porto Amélia, que nasci, num dia auspicioso...
21.12.11
A piscina OLÍMPICA do Natupile
A piscina do Natupile, inveja dos amigos, orgulho dos manos Dias, delícia de todos.
Reconheço a Lena (sensivelmento no centro); a jovem sentada, no lado direito, parece-me a minha prima Teresa Ferreira.
Atrás da menina que a bóia ajuda a flutuar, julgo reconhecer-me.
O nadador de impecável crawl parece o Lelo que, de resto, me mandou a foto.
10.12.11
O meu Tio Ramalho, "A Internacional" e o Cabo Mata - 2
Mas o que me enchia as medidas era a história do Cabo Mata que o Tio Ramalho caontava com grande cópia de promenorse e gesticulações, entre risadas e mímicas e que me punham a rir às gargalhadas.
Parece que o Cabo Mata era o garboso Comandante do Posto da Guarda Republicana de
Ermesinde.
Ermesinde.
A localidade devia, nos anos 30, ser pequena e o Cabo Mata era uma figura estimada e popular entre as suas gentes.
Ele era adepto do "Reviralho" e não se entusiasmara com o 28 de Maio, com a Ditadura Militar que se lhe seguiu nem com o Dr. Salazar que herdou, do Exército, o Governo.
Assim, o Cabo Mata fazia fama e proveito de conspirador.
Ora, o salazarismo ainda não estava consolidado e os golpes, as intentonas e as "revoluções" multiplicavam-se e sucediam-se.
A certa altura, chegou a notícia de que um grupo de militares se revoltara no Porto e pretendia derrubar o regime.
Correu célere a notícia de que o bravo Comandante e o grosso das tropas da guarda, de peito feito às balas inimigas, com a coragem dos heróis e o entusiasmo ao rubro, marchava já em direcção ao Porto, pronto a colocar as suas forças ao serviço da Causa.
Nas ruas de Ermesinde ouviam-se palmas e gritos de entusiasmo e encorajamento. Alguns elementos da Banda dos Bombeiros correram para a frente do Cabo Mata e dos seus homens e executaram entusiásticas mrchas militares (ou modinhas folclóricas, não sei bem). Houve colchas nas janelas e as moças, emocionadas com a bravura dos jovens soldados, porventura temendo pela vida desses bravos, atiravam flores e beijos com a ponta dos dedos.
E, garboso e emocionado, peito para fora, barriga para dentro, o Cabo Mata agradecia, saudando a população e gritando vivas à República!
Os miúdos marchavam, nos passeios, com canas ao ombro, a imitar os valentes.
O ambiente era electrizante.
O destacamento estava já nos limites da Vila, quando chegou, a correr, um funcionário dos CTT com um telegrama nas mãos. A Banda silenciou, cessaram os gritos.
Tristemente, depois de percorrer o telegrama, o Cabo Mata de uma ordem de "meia volta volver" e, juntamente com os seus dois subordinados, regressou ao Posto.
O telegrama dizia que o General Coisa e Tal, os Coronéis Fulano e Cicrano e os restantes oficiais sediciosos, isto é, todos os "revolucionários", tinham sido presos.
A Revolução falhara, o "Botas" ainda ia durar muitos anos antes do trambulhão da cadeira.
O Cabo Mata foi preso num dos dias que se seguiram. A história não acabava bem mas o valente Cabo não deve ter ficado muito tempo na prisão.
Pelo menos, eu gosto de pensar que não, não ficou muito tempo.
O meu Tio Ramalho, "A Internacional" e o Cabo Mata - 1
O Tio Ramalho, depois de assistir às vivas discussões políticas que eu, com algum pedantismo, tinha com meu Pai, acompanhava-me no curto tajecto até à varanda do Bar, assobiando sardonicamente "A Internacional".
Só muito instado e perante a minha estupefacção me revelou, a conta gotas e com grande reserva, no meio de contagiantes risadas, que, na sua juventude, andara "metido na política" e tivera veleidades "revolucionárias".
| Detalhe de foto de Celestino Gonçalves |
Ora, com a cumplicidade de um ferroviário, um grupo que não tinha em excessiva estima a rapaziada de camisa azul, parou o comboio na Estação de Ermesinda e atacou os nazis indígenas, originando uma sarrafusca generalizada.
Na sequência disto, o Tio Ramalho foi levado para a sede da Polícia Política (que, nessa altura, ainda devia usar o nome de PVDE - Polícia de Vigilância e Defesa do Estado - a sigla que antecedeu a da PIDE), no Porto. Acompanhava-o um camarada que tinha a particularidade de ser boxeur e, segundo o relato bem-humorado do Tio Ramalho, uma estatura avantajada e uma força a condizer.
À chegada ao Porto e à sede da Polícia, parece que os presos eram recebidos, à passagem da porta, por um bofetão, a título de boas-vindas.
O Tio Ramalho, não era particularmente corpulento; bom, diria mesmo que era baixote...
Foi o primeiro a entrar e, quando o agente encarregado das boas-vindas fez o movimento para a proverbial bofetada, o Tio Ramalho abaixou-se e o infeliz agente atingiu em cheio o amigo boxeur; este estava treinado para reagir, quase automatica e institivamente, a qualquer adversário que tentasse atingi-lo, de modo que acertou um impecável jab na cara do "chui" que, segundo a versão ramalhal, ficou imediatamente KO.
30.11.11
Tia Mariana e Tio Serafim
A Tia Mariana e o Tio Serafim fazem parte das "lendas" da tribo.
O Tio Serafim desapareceu prematuramente mas a Tia Mariana, "tão irreverente quanto encantadora", como diz o Lelo, sobreviveu-lhe por longos anos. Ela era a alma e o esteio da Pensão de que falei aqui, que ambos fundaram, onde se comia excelentemente e que foi, durante decénios, o único estabelecimento hoteleiro de Montepuez.
A Tia Mariana era a alegria personificada, cheia de expressividade e encanto.
|
| Foto enviada pelo Lelo com a legenda"O Russo primogénito (Serafim) e a nossa tia tão irreverente quanto encantadora..." |
Quando o seu Pai Joaquim Russo morreu, julgo que durante os anos 30, em Figueira de Castelo Rodrigo, terra de naturalidade de todos eles, o Tio Serafim fez ir para Moçambique, primeiro para Lourenço Marques e, mais tarde, para Montepuez, a sua Mãe viúva, a Avó Maria da Nazaré Nunes Russo e as suas Irmãs, Silvina, que casou com o Tio Júlio Ferreira, Conceição, que casou com o Tio António Teixeira, Ana Maria (Aninhas), que casou com o Tio Joaquim Ramalho, Adelaide, minha Mãe, casada com meu Pai Artur Augusto Dias, e Irene, que casou com o Tio Aires Rocha.
Estão, assim, listados aqueles que foram as raízes da minha tribo.
29.11.11
A "casa nova" do Tio Ramalho!!!
Nos anos 60, a casa parecia, aos olhos da miudagem de Montepuez, uma exemplo de arquitectura arrojadíssima! Lembro-me de achar muito original e bonita a forma mais ou menos ovalada da entrada para o alpendre.
A "casa nova" nova do Tio Ramalho foi, durante muito tempo, um must da Vila, tema de conversa e admiração.
| Fotografia cedida pelo Lelo |
| Fotografia cedida pelo Lelo |
Na foto mais pequena podem ver-se, da esquerda para a direita, o feliz proprietário, a Tia Irene e o Tio Rocha.
24.11.11
Mais tribo
22.11.11
| Nairoto em festa - a tribo em peso |
A fotografia foi-me enviada pelo Lelo e a legenda é da sua autoria.
É pena que a qualidade não seja excelente, o que não permite reconhecer todos os personagens.
Mesmo assim, no canto inferior esquerdo, sentados no degrau, o Turita fazendo continência e a Teresa Russo Ferreira; atrás, Tia Aninhas, Belita e Fernanda; em frente à coluna, o Tio Teixeira; depois, a minha Mãe, o meu Pai, o Tio Rocha e a Tia Mariana.
Não identifico as duas crianças de chapéu de palha de abas largas.
A seguir, a Tia Irene, Tia Conceição (?), uma Senhora que não reconheço.
O jovem (Beto? Lelo?) também está indistinto.
Por fim, atrás, no lado direito da foto, o Tio Ramalho.
Alguém tem uma versão mais nítida desta fotografia?
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