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4.3.12

Futebol em Montepuez


Uma das minhas fotos favoritas, tirada com a "Clarus" em
1958, em Montepuez. Um contra luz sem filtro, que apesar do
desgaste de 50 anos aos trambolhões, ainda mostra
 a excelência da lente e do sistema de velocidade!
 

Recorro, mais uma vez, às fotografias de Celestino Gonçalves, meu velho amigo.
A legenda da foto é dele, como dele é a descrição da máquina fotográfica que usou:

a "Clarus, uma famosa máquina americana em aço inox, equipada com três lentes, uma delas teleobjectiva ideal para captar imagens a média distância. O bonito e resistente estojo em cabedal rígido, vinha repleto de pertences, tais como filtros, fotómetro, pinceis de limpeza, borracha de ventilação, etc. Era a máquina ideal para me acompanhar nas campanhas do mato que iria ter pela frente, visto que fora concebida para suportar a dureza das reportagens nas frentes de combate durante a segunda guerra mundial."

Não sou, de maneira nenhuma, um expert em fotografia e agradeço a Deus e à tecnologia as máquinas que permitem, com uma simples pressão num botãozinho, fazer fotografias aceitáveis para mostrar à família.
Mas não é difícil reconhecer a qualidade desta, sobretudo tendo em consideração a data (1958).
Não reconheço o acrobático (e elegante) guarda-redes e não lobrigo o equipamento do Atlético. 
Depreendo, no entanto, que o Atlético seria uma das equipas a jogar nesta partida.
Dentre os guarda-redes do glorioso Atlético, vem-me imediatamente à memória o António Granjeia, que me lembro bem de ver jogar muitas vezes. O seu irmão Henrique, exímio e rápido avançado, veloz e com grande poder de finta (entre outros talentos), também ocupou a baliza, certamente por algum irritante impedimento do titular.
Eram assim, os craques do Atlético: polivalentes, jogando em qualquer lugar, desde que pudessem dar uns pontapés na bola!
G'anda Atlético, a melhor equipa de Montepuez e arredores (mesmo incluindo o Arsenal de Balama) !  





3.3.12

O campo de futebol



Publiquei esta fotografia, tirada durante a viagem a Montepuez que provocou a criação e manutenção do blog  a ilustrar este post.
Na foto abaixo, pode ver-se o mesmo campo  durante uma partida de futebol em que uma das equipas era, certamente, o Clube Atlético de Montepuez.
O Clube era o centro social por excelência, como quase sempre acontece em terras pequenas.
Nele se organizavam as festas, se praticavam jogos (cartas, bilhar, "quinos", etc.), no seu bar se cavaqueava (salvo seja...) animadamente.
A criançada também se divertia e, a certa altura, não sei bem porquê, a Escola Primária  chegou a funcionar nas instalações do Clube.
Quando os tempos não iam de feição, acontecia ser algo difícil reunir nomes suficientes e vontades bastantes para compor Direcções.
Nem sempre, embora mandassem as praxes que ninguém fizesse campanha eleitoral ou, sequer, anunciasse interesse em exercer qualquer cargo.
O direito de usufruir das instalações e amenidades do Clube estavam reservados aos brancos.
Na minha primeira infância, esse facto era, para mim, um dado adquirido, uma situação natural que não merecia contestação ou espanto.
Só mais tarde, quando espírito crítico e sensibilidade trazidos pela adolescência começaram a despertar-me para a feia realidade da sociedade colonial, é que me senti agredido por essas situações.
A discriminação praticada no Clube merecia uma excepção: a partir de certa altura, alguns negros, desde que fossem "bons de bola", podiam ser incluídos na equipa de futebol.
Mas nunca, nunca, serem, por exemplo, capitães da equipa! 
Imaginem, que tolice!...

14.7.11

O campo







Palco de olímpicas pelejas, arena de recontros titânicos!
Por aqui passavam o grande rival Desportivo de Porto Amélia, o Pemba, o Ibo, o incontornável Arsenal de Balama...
Uma vez, lembro-me, chegou a jogar aqui, defrontando o destemido Atlético, o Sporting de Nampula!
Não me lembro do resultado mas os nampulenses,
provavelmente, ganharam.
Seja como for, como diria um qualquer jornalista
 desportivo, "fez-se História"!

Tia Conceição



A Tia Conceição ficaria, estou certo, muito intrigada com as parabólicas no telhado.
Mas a casa lá está, ao pé do campo de futebol.
De resto, dela saíam, em direcção ao campo, devidamente equipados, alguns garbosos atletas, impecavelmente equipados com as cores do gloriosos Atlético (branco-negro, mais atarde, por influência "artística" do Manuel Cunha Alegre, encarnado e negro.
O emblema também foi alterado; tinha começado por ser uma cópia adaptada - o "P" de Portugal substituído por um "M" e as listas laterais reduzida a uma, em preto - do do Atlético Clube de Portugal (na imagem) mas com os pergaminhos heráldicos do Manuel Cunha Alegre, dele passou a constar um leão  com a pata sobre uma bola de futebol e a soberba divisa "Um Rugido na Selva".
Mai'nada!