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24.2.12

Teresa e Augusto Zé

Os meus primos Teresa e Augusto Zé Russo Ferreira, junto à piscina do Natupile.
Os Pais, a Tia Silvina e o Tio Júlio, tinham uma machamba em Namuno mas habitualmente estavam em Montepuez.
O Augusto Zé era um dos melhores "assobiadores" de Montepuez e arredores, título que disputava com o Claudino Bagorro, Depois de vir de Coimbra, aventurava-se por cantorias de mornas e coladeras que colegas caboverdianos o  tinham feito descobrir.
Mas bom, bom mesmo, era nas canções mexicanas, tipo "Cucurrucucu paloma" e similares, cheias de gorgeios e efeitos de voz (a qual estava longe de ser excelente).
Era, também, exímio no poker de dados com que dirimiamos quotidianamente a dúvida de saber quem pagava o whisky pré-almoço, na varanda do Teixeira & Ramalho. 
Mas isso foi uns bons anos mais tarde...

28.1.12

A tribo, mais uma vez


Já publiquei aqui  uma fotografia que deve ter sido feita na mesma ocasião: o carro é o mesmo, as crianças também, está o Almeida.
Há, porém, duas outras personagens: à direita o meu Tio António Teixeira (o "Teixeira" de Teixeira & Ramalho), prematuramente desaparecido, casado com a Tia Conceição e pai do Zé Maria e da Fernanda, que está à sua direita. À esquerda, o An´íbal, que viria a casar com a Ermelinda e, bastante depois da época da foto, haveria de instalar-se na África do Sul. Ao lado da Fernanda está a minha prima Teresa Russo Ferreira que tem a mão protectora no ombra da minha então minúscula irmã Lena. O Augusto Zé, irmão da Teresa, é abraçado por uma menina de feições estranhamente familiares (isto porque não sou capaz de a identificar). Depois está a minha prima Belita Ramalho. Por fim, empoleirado no capot do carro, este vosso amigo.


21.11.11

Teixeira & Ramalho

Fotografias cedidas pelo meu primo Lelo Rocha

Nos anos 60, quando o meu Pai tomou conta da loja Teixeira & Ramalho, por razões que referi aqui, decidiu que uma designação mais apelativa e condizente com a importância do estabelecimento.
Nasceu, assim, o CENTRO COMERCIAL DE MONTEPUEZ, nome que, orgulhosamente, ornamentou, durante bastante tempo, a fachada do velho edifício. 
Já disse que o meu Pai era um pouco visionário e inovador. Esse espírito, contudo, nem sempre era acompanhado de um sentido dos negócios grandemente apurado e alguns empreendimentos acabaram por não ser tão grandiosos como os sonhos que lhes davam origem.
Mas o Teixeira & Ramalho, com esse nome ou sem ele, perdurou até à sua morte. 

17.10.11

Teixeira & Ramalho


Teixeira & Ramalho era a firma da sociedade dos meus tios António Teixeira e Joaquim Ramalho.
Depois da morte do primeiro, manteve-se na propriedade do outro e mais tarde, por razões que não conheço ou de que não me lembro, passou a ficar sob gerência do meu Pai.
Era, para além do Clube, o local de encontro social; só de homens, entenda-se, que as senhoras não o frequentavam senão para compras, ao contrário do que sucedia com o Clube.                                                                             
A varanda, junto ao bar, era o local do aperitivo de antes do almoço e do drink ao fim da tarde.
Adolescente, aí disputava com o meu primo Augusto José, o saudoso "Pancinhas", renhidas partidas de poker de dados que decidiam quem pagava as contas dos whiskys, bebidos, ainda, em semi-clandestinidade, dado o desagrado parental face à precocidade dos consumidores.
Antes do almoço, o meu tio Aires Rocha, impecavelmente trajado "à colonial", de fato branco, sempre jovial, esperava até ao chamamento do criado que vinha anunciar "senhora 'tá chamar p'ró almoço" para escorropichar o último trago da bebida.
Quando vim para Lisboa para a Faculdade e, dando conteúdo prático à iniciação política bebida em longas conversas com o Dr. Cansado Gonçalves, meu Professor no Liceu de Lourenço Marques, fugaz (mas marcante) Secretário-Geral do PCP e da Drª. Maria da Luz, iniciei entusiásticos contactos com a clandestinidade política.
De férias em Montepuez, pedante e emproado, era frequente que provocasse a ira paterna com tiradas patetas, debitadas no tom rebarbativo de um leninezinho em potência. 
Isso passava-se, habitualmente, à hora do almoço e, em seguida, marchávamos, eu e meu irmão, para a varanda acima perpetuada; atrás, de sorrizinho sarcástico, o meu tio Joaquim Ramalho, assobiava, cheio de gorgeios, a "Internacional"!
Quando isso sucedeu pela primeira vez, imagine-se o meu espanto ao constatar que, mesmo no meio do sertão setentrional de Moçambique, alguém reconhecia o Hino e logo um tio meu!...
Foi assim que fiquei a conhecer o conspícuo "passado revolucionário" do meu tio.