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| No Natupile, pouco depois do acontecimento narrado no início deste post, os orgulhosos pais exibem ao Mundo o seu prometedor rebento. Ao lado, implacavelmente removida, a Avó Amélia. Ao fundo, um vulto. Seria já o Sulemane? Apetece-me pensar que sim, que o Sulemane já tomava conta de mim. |
Como disse Proust, "a melhor parte da nossa memória está (...) fora de nós. Está num ar de chuva, num cheiro a quarto fechado ou no de um primeiro fogaréu, seja onde for que de nós mesmos encontremos aquilo que a nossa inteligência pusera de parte, a última reserva do passado, a melhor, aquela que, quando se esgotam todas as outras, sabe ainda fazer-nos chorar".
31.1.12
O primogénito
30.1.12
MEMÓRIA COLONIAL VII
Carlos Vaz Ferraz é o pseudónimo literário de Carlos Matos Gomes, Coronel do Exército.
Carlos Matos Gomes. que foi um dos "Capitães de Abril", tem-se dedicado à literatura e à ficção.
Publicou já numerosas obras que têm a guerra colonial como tema; um dos seus livros foi adaptado para cinema e o filme, realizado por António Pedro de Vasconcelos com o título Os Imortais, obteve bastante êxito.
Escreveu o argumento do filme Portugal S.A., de Ruy Guerra, realizador brasileiro nascido em Moçambique.
Colaborou com Maria de Medeiros no filme Capitães de Abril e é autor do guião da série de televisão Regresso a Suzalinda, baseada no romance Fala-me de África.
Escreveu o argumento do filme Portugal S.A., de Ruy Guerra, realizador brasileiro nascido em Moçambique.
Colaborou com Maria de Medeiros no filme Capitães de Abril e é autor do guião da série de televisão Regresso a Suzalinda, baseada no romance Fala-me de África.
O título do livro aqui apresentado, Nó Cego, remete para a designação de código "Nó Górdio", a maior operação militar realizada em Moçambique durante a Guerra Colonial que decorreu em 1970, sob comando do General Kaúlza de Arriaga e envolveu 35 mil militares. O objectivo era destruir as bases da FRELIMO e neutralizar as pistas e rotas de infiltração de homens e material provenientes da Tanzânia.
O autor comandou uma Companhia de Comandos que participou naquela operação.
Nó Cego é um dos poucos grandes livros de ficção sobre a guerra colonial, um vasto fresco sobre os soldados e oficiais "transplantados" das suas terras de origem para uma África violenta, em convulsões febris na busca da sua liberdade e dignidade, sobre as angústias, os medos , os crimes que são, sempre, o pano de fundo das guerras.
Muito bem escrito, com uma linguagem depurada, recusando o sentimentalismo e o panfleto, Nó Cego é, hoje, objectos de estudos académicos e poderá vir a ficar na História da literatura portuguesa, como diz no Prefácio à ultima edição da autoria de Rui de Azevedo Teixeira, como "o nosso Por Quem Os Sinos Dobram".
A título de curiosidade, transcrevo uma passagem em que Carlo Vaz Ferraz se refere a Montepuez:
"Vinda de Angola, desembarcada do navio Império em Porto Amélia, antes de ser enviada para Mueda com a urgência dum carro de bombeiros, a companhia esteve uns curtos dias em Montepuez, o quartel da base dos Comandos, para receber o armamento e o equipamento dos lotes de intervenção.
Montepuez seria um género de residência da família no campo, o local onde deixaram arrumados nos armários verdes das casernas que lhes atribuíram as roupas civis que só seriam utilizadas nas próximas férias e os pertences inúteis que lhes recordavam o passado. (...) Não chegaram a conhecer a pequena vila no interior, situada numa área de novas plantações de algodão (...)".
Carlos Vaz Ferraz
Nó Cego
Edição Casa das Letras
(Oficina do Livro)
Fernanda e Turita
29.1.12
Errâncias V
Não será por isso que o dia
ficará na História mas a verdade é que nasci a 4 de Setembro de 1943, na
belíssima Porto Amélia, junto ao Índico, na casa (onde também ele nasceu) mostrada na foto abaixo, enviada pelo Lelo.
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Casa em que nasci em Porto Amélia, que é hoje
uma loja de materiais de
construção.
Já antes tinha sido lojoa mas de material
eléctrico – a Electro
Pamélia.
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Cedo me levaram meus pais (soa um
pouco a “Menina e Moça”...) para não muito longes terras, isto é, para o
Natupile.
Da minha mais tenra infância na machamba, já aqui falei.
Com a entrada na Escola, as
visitas de meus Pais a Montepuez (cerca de 50 Km de distancia) tornaram-se mais
frequentes, enquanto eu era acolhido em casa da Tia Conceição e do Tio
Teixeira, junto dos meus primos Fernanda e Zé Maria e da Avó Nazaré (ver aqui).
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| Na fila de trás: uma marrussi, a Maria Cândida, aTia Conceição e a Fernanda . Na da frente, eu e o A.ugusto Zé |
Da Escola, recordo-me de algumas
aulas dadas nas instalações do Clube (o Glorioso Atlético!), talvez devido a
obras no outro edifício; lembro-me do Professor Bouça, um senhor que infundia um salutar
terror nos seus discípulos, ostentava umas ameaçadoras e hirsutas sobrancelhas e
fazia generoso uso da “menina de cinco olhos” e da cana, esse eficiente
auxiliar pedagógico.
Da casa da Tia Conceição nessa
época, recordo vividamente uma cena que muito me impressionou: pela
primeira vez vi uma galinha degolada a correr, às voltas, sem cabeça e sem
direcção. Julgo que tive alguns pesadelos e, muito mais tarde, ao
ler uma descrição assaz realista da decapitação de Luís XVI na guilhotina
parisiense, afirmando o autor que os olhos e a boca do infeliz Capeto ainda se
abriram e fecharam convulsivamente quando o carrasco Sansão mostrou a cabeça já
decepada à populaça, revivi a cena da galinha e acreditei piamente que o rei ou, melhor, a sua cabeça sobrevivera, por instantes, à máquina do Dr. Guillotin..
A propósito de galinhas, foi
também por essa altura que o gang infantil
da tribo encetou uma série de experiências científicas de “hipnotização” de galináceos. O
procedimento era o seguinte: agarrada a ave, metia-se-lhe a cabeça debaixo da
asa e desenhava-se um círculo na areia à volta do animal, enquanto se
pronunciavam, com voz cava, alguma palavras “hipnóticas”, ordenando que não
ultrapassasse a linha marcada. Ora acontecia que a galinha, sendo
reconhecidamente o mais estúpido dos animais, ficava quieta, sem fazer sequer
qualquer tentativa de retirar a cabeça da (incómoda) posição.
Uma outra descoberta científica
semelhante, na impressão causada, à da galinha sem cabeça, foi a da cauda da
lagartixa que, uma vez cortada, continua a contorcer-se freneticamente durante
bastante tempo. Temo que esse fenómenos tenha dado origem a alguns actos de
grande crueldade praticados contra um número indeterminado de lagartixas; a
única desculpa que me ocorre, é que é o experimentalismo que faz avançar a ciência
e como dizia o clássico “a experiência é a madre de todalas cosas”. Era um grupo de crianças sedentas de saber e não um bando de energúmenos.
Também somos culpados do
assassinato de uma pacífica cobra (não tenho a certeza se era pacífica e,
provavelmente, não o era).
Matei (ou ajudei a matar) algumas outras, a última há muito pouco tempo, na Residência da Embaixada de Portugal em Malta; mas aquela do quintal da casa da Tia Conceição foi a primeira.
Experimentei, pela primeira vez, um sentimento que, em mim, foi sempre menos forte e apetecido do que para um grande número de pessoas: a satisfação da caça, essa manifestação ancestral que está, talvez, na nossa memoria genética (se é que isso existe).
Matei (ou ajudei a matar) algumas outras, a última há muito pouco tempo, na Residência da Embaixada de Portugal em Malta; mas aquela do quintal da casa da Tia Conceição foi a primeira.
Experimentei, pela primeira vez, um sentimento que, em mim, foi sempre menos forte e apetecido do que para um grande número de pessoas: a satisfação da caça, essa manifestação ancestral que está, talvez, na nossa memoria genética (se é que isso existe).
A sensação de euforia não foi
menos intensa da que tive quando, muitos anos mais tarde, abati o meu primeiro
e único elefante.
“Abati” é uma forma de dizer;
apesar de o primo Junqueiro me garantir que sim, mantive para sempre a
desconfiança de que ele também disparara e que foi dele o tiro fatal.
A casa da Tia Conceição é um dos lugares da minha infância cuja lembrança permaneceu mais vívida.
28.1.12
A tribo, mais uma vez
Já publiquei aqui uma fotografia que deve ter sido feita na mesma ocasião: o carro é o mesmo, as crianças também, está o Almeida.
Há, porém, duas outras personagens: à direita o meu Tio António Teixeira (o "Teixeira" de Teixeira & Ramalho), prematuramente desaparecido, casado com a Tia Conceição e pai do Zé Maria e da Fernanda, que está à sua direita. À esquerda, o An´íbal, que viria a casar com a Ermelinda e, bastante depois da época da foto, haveria de instalar-se na África do Sul. Ao lado da Fernanda está a minha prima Teresa Russo Ferreira que tem a mão protectora no ombra da minha então minúscula irmã Lena. O Augusto Zé, irmão da Teresa, é abraçado por uma menina de feições estranhamente familiares (isto porque não sou capaz de a identificar). Depois está a minha prima Belita Ramalho. Por fim, empoleirado no capot do carro, este vosso amigo.27.1.12
Festa no Natupile
De vez em quando, havia festas no Natupile. Vinham, então, verdadeiras excursões de Balama e Montepuez.
As duas fotos que ilustram este post ilustram uma dessas ocasiões.
Tenho alguma dificuldade em identificar a maioria das pessoas presentes. Na de cima, está o meu Pai à esquerda, em primeiro plano e, ao fundo, sentado "ao contrário" na cadeira, o senhor Cunha Alegre (tal como na outra foto, em que aparece do lado esquerdo).
Na fotografia seguinte, além do já citado Cunha Alegre, reconheço a Tia Mariana, a única senhora que está de frente para o fotógrafo. Ao fundo, um gandulo descalço, comme il faut e era a regra no Natupile, parece ser o meu primo Beto. Distingo, ainda, a minha prima Fernanda e o Almeida. O último, à direita, julgo ser o Rosa, colega e amigo do Almeida.
Nesta festa, teria acontecido, reza uma crónica, um precalço que foi, durante muito tempo, tema de conversa e gargalhada.
A Tia Irene era, já o disse neste blog, um respaldo e fornecia lugares de exílio e protecção para qualquer de nás, em caso de f´´uria adulta e risco de castigo (não creio que os filhos, Beto e Lelo usufruissem da mesma magnanimidade) e, portanto, era adorada pela criançada.
Mas, nesse dia, por medo, repugnância ou má disposição, recusou as facécias de um pequenino macaco que tinha sido adoptado por nós.
O símio, que não tinha a boa índole da Tia Irene, escorraçado por esta, tomou-a de ponta, se assim me posso exprimir.
Amuado, subiu para a árvore debaixo da qual se sentava a sua inimiga e, num acto de inqualificável desforço, atingiu-a com um vingativo chichi.
Citação XII
Se destacamos essa característica flutuante, mutável, da
memória, tanto individual quanto coletiva, devemos lembrar também que na
maioria das memórias existem marcos ou pontos relativamente invariantes,
imutáveis. Todos os que já realizaram entrevistas de históriade vida percebem
que no decorrer de uma entrevista muito longa, em que a ordem cronológica não
está sendo necessariamente obedecida, em que os entrevistados voltam várias
vezes aos mesmos acontecimentos, há nessas voltas a determinados períodos da
vida, ou a certos fatos, algo de invariante.
É como se, numa história de vida individual - mas isso
acontecei gualmente em memórias construídas coletivamente houvesse elementos
irredutíveis, em que
o trabalho de solidificação da memória foi tão importante
que impossibilitou a ocorrência de mudanças.
Em certo sentido, determinado número de elementos tornam-se
realidade, passam a fazer parte da própria essência da pessoa, muito embora
outros tantos acontecimentos e fatos possam se modificarem função dos
interlocutores, ou em função do movimento da fala.
Quais são, portanto, os elementos constitutivos da memória,
individual ou coletiva?
Em primeiro lugar, são os acontecimentos vividos
pessoalmente. Em segundo lugar, são os acontecimentos que eu chamaria de
"vividos por tabela", ou seja, acontecimentos vividos pelo grupo ou
pela coletividade à qual a pessoa se sente pertencer.
(...)
Além desses acontecimentos, a memória é constituída por pessoas,
personagens. Aqui também podemos aplicar o mesmo esquema, falar de
personagens realmente encontradas no decorrer da vida, de personagens
freqüentadas por tabela, indiretamente, mas que, por assim dizer, se
transformaram quase que em conhecidas, e ainda de personagens que não
pertenceram necessariamente ao espaço-tempo da pessoa. Por
exemplo, no caso da França, não é preciso ter vivido na época do general De
Gaulle para senti-lo como um contemporâneo.
Além dos acontecimentos e das personagens, podemos
finalmente arrolar os lugares.
Existem lugares da memória, lugares particularmente ligados
a uma lembrança, que pode ser uma
lembrança pessoal, mas também pode não ter apoio no tempo cronológico.
Pode ser, por
exemplo, um lugar de férias na infância, que permaneceu muito forte na memória
da pessoa, muito marcante, independentemente da data real em que a vivência se
deu. Na memória mais pública, nos aspectos mais públicos da pessoa, pode haver
lugares de apoio da memória, que são os lugares de comemoração.
MEMÓRIA E IDENTIDADE SOCIAL
Michael Pollak (1987)26.1.12
GUERRA MARQUES III
Encontrei mais uma foto para a série "Guerra Marques": a Isabel com as meninas, na praia.
25.1.12
A travessia do Rio Messalo
Quando íamos ao Nairoto, onde pontificava, como Administrador de Posto, o meu primo António de Almeida, ainda se atravessava o Messalo de jangada.
A vegetação densa, o rio que eu imaginava fervilhante de crocodilos, o parrot, tudo sugeria aventura, Edgar Rice Burroughs e "Tarzan dos Macacos" (às vezes "Jungle Jim").
No Nairoto havia elefantes bebés e, se bem me lembro, uma gazela. Para nós, cada ida ao Nairoto era uma festa.
A mana Lena versão anos 60
24.1.12
Errâncias IV
Meu Avô
António Augusto e meu Pai chegaram a Moçambique nos idos de 1930.
Nessa altura (e até bastante
tarde na história do colonialismo português) era exigida, a quem quer que
desejasse emigrar para as possessões coloniais, uma “carta de chamada”, uma
espécie de termo de responsabilidade de alguém já lá instalado.
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| Algodão no Natupile-meu Pai à direita |
A “carta de chamada” não era mais
do que uma forma de manter sob rigoroso controlo do Estado a população branca
que iria, em nome da “nação
portuguesa”,na linguagem pomposa do Acto Colonial de 1930, “desempenhar a
função histórica de possuir e colonizar domínios ultramarinos e de civilizar as
populações indígenas que neles se compreendam”.
O responsável da “carta de
chamada” foi um parente, cunhado
de minha Avó Amélia, o Tio Sobral.
Este era uma figura invulgar, um
velho pioneiro larger than life,
casado com a Tia Ana Sobral, de quem se dizia ter sido a primeira mulher branca
a habitar, de forma permanente, o norte de Moçambique.
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| A Lena num Pomar no Natupile |
Originários de Freixo de Espada à
Cinta, deram o nome de Nova Freixo à Vila de Cuamba, o que perdurou até 1975, quando, por fim, a povoação voltou
à sua inicial e legítima designação.
Os bustos deste casal
ornamentaram o principal jardim de Cuamba e eles foram, durante muitos
decénios, uma espécie de patronos da Vila, os principais proprietários
agrícolas e do comercio da região.
Este Tio Sobral tinha decidido
abandonar a zona de Montepuez.
Deixou, então, uma machamba que possuía, o Natupile, a meu
Pai.
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| Pé descalço e boa-vai-ela-Turita e eu |
Rezam as crónicas que terá dito a
meu Pai: “Agora, governa-te...”.
O Natupile foi, desde a primeira
infância, uma espécie de “lar primordial” – mesmo quando vivíamos em Montepuez,
eu sentia que estávamos de passagem, que a nossa estadia não era permanente
porque a “casa” a verdadeira casa, era o Natupile.
A minha Irmã Maria Helena nasceu
no Natupile e , juntamente com ela e com o Turita, foi lá que vivi os primeiros
anos da meninice.
Lá li as primeiras revistas (“O
Mosquito”, o “Mundo de Aventuras”) e os primeiros livros (Salgari, Paul Féval,
Ponson du Terrail, Dumas).
Lá disparei a primeira pressão de
ar, uma Diane, e a primeira espingarda a sério, a Flaubert .22; lá brinquei,
tive medo das feras (quando um leão rugia, os “crescidos” diziam que “o leão está a
cantar”, uma forma de afastar o terror nocturno inspirado pelos animais
selvagens), encantei-me com os primeiros "bichos", cães, gazelas e periquitos.
O som de um motor de automóvel
ouvia-se a dez ou quinze quilómetros de distancia e desencadeava uma enorme
excitação, porque significava que provavelmente íamos ter visitas.
Nenhum dia era igual ao outro,
embora, na minha infantil imaginação, eu confundisse sossego com monotonia.
O Natupile era a “casa” e era
para lá que voltámos sempre.
23.1.12
Civis, eclesiásticos e militares
Da esquerda para a direita, o Coronel Ermida, comandante de uma unidade militar estacionada em Montepuez, o Bispo de Porto Amélia, meu Pai e um segundo eclesiástico que julgo ser o Arcepispo Custódio e Alvim de Lourenço Marques.
Durante a guerra, a Igreja moçambicana revelou-se muito dividida: bispos como o de Nampula D. Manuel Vieira Pinto e o da Beira D. Sebastião Soares de Resende, secundados por um bom número de padres e intelectuais católicos, tomaram firmes e corajosas atitudes públicas de denúncia do colonialismo e, sobretudo, das violações sistemáticas dos Direitos Humanos que incluíam torturas, assassinatos, massacres de civis e outras violências.
Alguns pagaram caro essa atitude, foram perseguidos, expulsos, presos, vilipendiados na praça pública, como se pode ver pelo ignóbil panfleto que circulou pela colónia.
Com a prestimosa ajuda de muita gente, a PIDE e os poderes públicos não deram tréguas a esse sacerdotes e freiras.
Mas outra parte da Igreja, solidária com aquela que em Portugal sempre serviu de escudo e lança a Salazar, apoiou o regime, silenciou atrocidades, tomou partido pelos opressores contra os oprimidos, pelos fortes contra os fracos, pelos verdugos contra "aqueles que têm fome e sede de justiça".
22.1.12
Onde será?
21.1.12
As duas Tias
A Tia Irene e a Tia Aninhas.
Há imagens que nos interpelam de uma forma curiosa.
Esta fotografia mostra duas das minhas tias num local que não é identificável (por mim), sentadas no que parecem ser bancos de cozinha, ao ar livre.
Ambas sorriem, aparentemente sem se darem conta que estão a ser fotografadas, sem qualquer sugestão de "pose".
Estão a observar um acontecimento, isso parece claro - poderá ser uma festa, um jogo, um espectáculo, talvez crianças a brincar.
O que se estaria a passar? Que estariam a pensar? Haveria comentários, entre elas, sobre aquilo a que assistiam?
Não devia ser nada de misterioso, uma vez que tudo se passa no exterior de qualquer casa ou edifício; mas terá havido consequências importantes (ou interessantes), tristes ou felizes do que quer que seja que contemplam?
Se eu quisesse ser pomposo, diria que, a partir daqui, podia escrever um romance. Policial, por exemplo.
20.1.12
11 anos
Uma inscrição no verso indica a data da fotografia, o dia em que fiz 11 anos.
Não sei onde foi feita mas, nesse ano, terminou o martírio do Colégio das Caldinhas e voltei a Moçambique, para os Maristas de Lourenço Marques.
Elegante no fatinho com calções, abrilhantinado ("brylcreemizado", diria o O'Neil), orelhudo e feliz.
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